quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ansiedade Vazia


Eu permaneço sentada na ponta da cadeira
com os nervos à flor da pele.
Um reboliço sobe pela ponta dos pés. O chão gelado,
O frio sobe e o sangue gela
Enquanto os fios de cabelo se arrepiam
Ante o nada.
Ele, o nada, seduz o sim, o não, o talvez,
Faz a todos dançar no ritmo lento
De suas batidas em silêncio,
Seu perdão sem pecado,
Seu tédio exuberante
Que não é preto e não é branco,
Que não tem cor,
Que é ausência.
Numa morbidez quase mastigável,
Num sadismo sem medidas
Por fazer o coração acelerar pelo que é apenas ausência.
É a ausência da ansiedade, de significado,
De sentido,
Ausência de satisfação e insatisfação,
De alegria e de tristeza,
De saúde e de doença,
Ausência de vida e morte
Num intermitente balanço em rumo ao vazio.
A distância a percorrer é imensa
E é preenchida pela vida
Que escapa pelos becos ao longo do caminho, numa ânsia
De fugir à escuridão e à claridade
Que é o som eterno do silêncio.
O que não se encontra
São respostas
Ou antídotos
Ou rodas
Que nos aproxime do infinito
De um aro-íris cheio de cores.
De uma canção abastada de acordes,
De um coração que bate para manter
A vida de quem busca excitamento.
Suas batidas são ritmadas e entediantes
E nos levam em direção ao abismo
Para que o ritmo seja quebrado,
O tédio vencido,
O nada evitado,
O corpo caído,
O silêncio velado.
O nada é vencido
Ante a derota do coração valido –
A retomada das tediosas batidas do normal. 
Van Gogh, Old Man in Sorrow

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