Tua bainha está aberta.
Vejo tuas entranhas,
Teu rosto machucado,
Tua ferida descoberta
Por acaso.
Não quero ver.
Por que me mostras?
Fecha teu zíper,
Cicatrize sua dor.
Joga pela encosta
Todo esse dissabor.
Ainda vejo.
Sim.
Tuas vísceras se contraem
Em distorcidos gestos
Acalorados, imediatos,
Vejo que te saem
Pelos olhos, ouvidos,
Narinas, orifícios.
Contenha-te,
Mantenha-te,
Comporta-te,
Cade o juízo?
Componha-te!
Que desperdício és tu,
De inteligência,
De modos,
Não te ensinaram?
A parecer sempre bem?
Pois sim!
Desesperar-se é feio,
Chorar é antiquado,
Sofrer é para os fracos.
Tu tens que ser...
Super-homem!
Menos que o máximo
Não me serve,
Não serve a ti mesmo
Não neste mundo.
Ele não te quer
A altos brados.
Cala-te enfim.
El Greco, Las lágrimas de São Pedro, 1587/96
