domingo, 17 de julho de 2011

You know what?

I can read between lines,
I can read between lies.
Beneath all reasons
Upon which I rely
All my understanding of the world,
Of life, of love, of why people die
Or live in a certain way…
How foolish am I!
What kind of fool am I?
Who am I to know
All sorts of things?
No-one. That is why
I know nothing,
Or should know nothing,
Or pretend to know nothing,
I don’t know,
Actually I don’t know much.
I couldn’t, anyway.
It’s not up to me,
Deciding how much I know.
The world is just too big.
Nobody knows much about,
Nobody should,
Nobody wants to,
Nobody deserves to,
Nobody can, or cares.
I was lying, see?
I admit it.
I ignore all things.
I’m just… here. 
Rodin, "O pensador", 1880

terça-feira, 5 de julho de 2011

Out of my mind

Em frente ao espelho,
Abro a boca e
Reparo nos meus dentes.
Eles doem quando eu mordo,
Mas a dor me é alheia.
Alheia é a dor sentida
Quando puxo meus cabelos
E os deixo cair nos ombros,
Não reconheço os cabelos,
A dor do puxão,
Ou os ombros.
Eu me belisco.
Sinto a dor, mas
É a mesma dor dos cabelos,
Dos dentes,
Da sensação dos cabelos nos ombros.
Em frente ao espelho,
Abro a boca e grito.
A voz não é minha,
Assisto de camarote
Ao desespero desta outra pessoa
Que usa meus pulmões,
Minhas cordas vocais,
Meus nervos.
Sou invadida por um romance,
Novela escrita em prosa;
A vida de alguém que é tão nula,
Tão branda, tão passiva,
Tão agitada, tão emocionante
Como qualquer outra.
Essa novela não daria um filme,
Nem uma boa história,
Mas a única possibilidade
É assistir ao filme passando em minha frente.
Eu me escuso do meu próprio movimento.
De quem é essa voz, mesmo?
Ouço sempre, reconheço nunca. 

                                 Caravaggio, "Narciso", 1594-96